Video Killed The Radio Song

 

Esses dias eu assisti ao filme "Rede Social" e uma passagem do filme me chamou a atenção... Foi em um diálogo entre Shawn Fanning (criador do Napster) e os criadores do Facebook (Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin) onde Fanning se gaba por ter destruído o império das gravadoras e Eduardo o chama de louco, por que além das gravadoras o estarem processando, elas vão bem, obrigado.

 

Assistindo a essa passagem não pude deixar de lembrar de uma música de 1980 chamada "Video Killed the Radio Star" (O Vídeo matou o astro do rádio) e, não posso deixar de dizer, que concordo em partes com ele... Mas ele não matou as gravadoras (apenas as feriu um bocado no bolso), o que ele matou foi outra coisa.

 

Eu não nego que o Napster tenha causado uma revolução, de repente qualquer música poderia chegar a pessoas que normalmente não teriam acesso a ela, pequenas bandas de garagem tinham a chance de se tornarem conhecidas no mundo todo e por aí vai, esse foi um dos lados bons da coisa. Como nada no mundo é gratuito, essa liberdade toda teve seu preço (e eu não estou nem falando das gravadoras), houve toda uma mudança cultural.

 

Compartilhar músicas é algo que sempre existiu, na minha adolescência, lá pela década de 80, existiam práticas quase que ritualísticas para os amantes da música, eu ia a sebos e passava horas garimpando caixas e mais caixas de discos a procura de alguma novidade (ou velharia), pegava indicações dos irmãos mais velhos dos meus amigos, dos vendedores da Galeria do Rock, e de vez em quando, algum surgia com uma história ou curiosidade a respeito de um artista ou de uma música. Nessas, o conhecimento era passado, muitas vezes aumentado pela empolgação de quem narrava ou de quem ouvia e lendas eram criadas. Haviam os discos piratas (quando eu digo discos, entendam como os velhos LPs de vinil), e eles eram raridades, normalmente gravações de shows que não foram lançados pelas grandes gravadoras e de alguma maneira eram prensados naqueles velhos "bolachões"... Eles eram raros, era uma sorte e um privilégio ter um disco pirata seus donos eram verdadeiros "connoisseurs".

 

Vira e mexe, caia na nossa mão uma fita K7 com a gravação de um disco desses, normalmente a terceira cópia, conseguida com o vizinho do primo de algum amigo nosso. Confuso? Para os padrões de hoje pode até ser, mas naquela esse tipo de rastreabilidade era normal na época. Mas isso foi no século passado...

 

Hoje em dia, pelo padrão da molecada, o velho colecionador é um otário, que pagou uma nota preta por algo que podia ser baixado de graça no e-mule ou qualquer outra ferramneta do tipo toda a discografia daquele fulano. Com dois minutos no Google ou Wikipedia, pode-se saber até o quanto calça esse fulano, youtube, foruns e mais foruns, com centenas de participantes, cujo comentário mais pertinente é "irado" (quando este não vem todo abreviado por conta de dislexia ou atrofia digital). Excesso de informação e excesso de músicas, tudo disponível sem custo nenhum... Nem necessidade de aprendizado, uma vez que está tudo lá online.

 

Pense na seguinte pergunta: Você se lembra do que você leu no Google ou na Wikipedia ontem?

 

Se sim, passe esse conhecimento adiante. Não confie na capacidade da geração digital de difundir a cultura.

 

Napster Killed the Music Lover.